Crianças podem tomar café?

abril 14, 2016

Como todo mundo sabe, o café não é remédio. No entanto, pesquisas revelam que a planta é funcional e ajuda na prevenção de diversas doenças.

Considerado um vilão para a saúde até pouco tempo atrás, o café vem sendo reabilitado por uma série de pesquisas que mostram que a bebida pode fazer bem em diversas circunstâncias.

Estudos recentes apontam para uma série de descobertas positivas sobre o café para diabetes tipo II, asma, Parkinson, Alzheimer, cirrose alcoólica, problemas cardíacos, alguns tipos de câncer, depressão, memória e até fertilidade.

Isso porque o grão do café não possui apenas cafeína, mas também substâncias benéficas como antioxidantes, além de uma variedade de minerais, entre potássio, magnésio, zinco, sódio, ferro, e também algumas vitaminas, embora em pequenas quantidades.

E para as crianças, o café faz bem?

As crianças podem tomar café! Essa é a opinião de especialistas: Não há problema em consumir café na infância. Só é preciso cuidar da quantidade. Crianças que consomem café com leite se beneficiam com o consumo do cálcio, importante para seu crescimento, além dos minerais contidos no café, que ajudam despertar a atenção e auxiliam no aprendizado escolar.
No entanto, a questão gera polêmica e divide a opinião dos profissionais da saúde.  Para Fernanda Granja, nutricionista clínica especializada em nutrição pediátrica, mesmo com diversos benefícios para a saúde, a cafeína presente no café pode prejudicar e muito a saúde de uma criança.

“O excesso de cafeína diminui a retenção de cálcio no organismo de pessoas com uma dieta pobre em cálcio, e diminui a absorção de ferro. Por isso, a criança deve ser desestimulada a consumir alimentos com cafeína para não atrapalhar seu crescimento”, ressalta a nutricionista clínica.

O café ainda ajuda a diminuir a fadiga e tem ação diurética. Para as crianças isso não é um efeito positivo. Elas já são estimuladas por natureza. Além disso, essa ação diurética pode prejudicar a absorção de vitaminas e minerais.

A especialista ainda destaca que pesquisas relacionam o consumo excessivo de café com o aumento do colesterol e pressão sanguínea, por causa do excesso de cafeína, que promove hipertensão e taquicardia.

Para muitos, a chave da questão é controlar a quantidade! Apenas o excesso causa malefícios, como agitação, insônia, irritação, dores de estômago, aumento de pressão arterial e dificuldade em dormir.

Cafeína não só no café!

Hoje em dia, grande parte das crianças não ingerem o café em si, mas bebidas contendo cafeína, como chás, chocolate e bebidas à base de cola, como os refrigerantes. Além disso, a substância também está presente em alguns medicamentos.

“Se for para retirar algo da alimentação dos pequenos, o melhor é barrar os refrigerantes e não o café, que trará benefícios para a saúde”, afirma Simas.

Idade X Café

A indicação dos especialistas que defendem o consumo do café desde a infância, é que isso deve acontecer em idade escolar, a partir dos 6 anos, porém nessa fase da vida deve ser utilizado preferencialmente o café com leite.


Quantas xícaras?
Dentre as inúmeras variedades de café, o mais aconselhado tanto para crianças quanto para adultos, é o café coado. “Em comparação com o café expresso, o coado retém substâncias que poderiam interferir negativamente no colesterol”, afirma Simone Simas.

Para um adulto, o recomendado pelos médicos é não mais que 4 xícaras (de 50 ml) por dia. Essa quantidade é ideal para se ter os efeitos benéficos. “Para as crianças, eu recomendo 2 xícaras ao dia, com leite, e consumido preferencialmente na parte da manhã e da tarde, evitando o período noturno e assim, as alterações no sono”, explica Simas.

Fernanda Granja informa que as crianças têm a necessidade de dormir mais que um adulto ou um idoso, devido ao ciclo circadiano que temos em cada época da nossa vida. Segunda ela, o café pode ser bem prejudicial por causa da cafeína, um estímulo para o sistema nervoso central.

Vicia?

Existem divergências sobre esse assunto. No entanto, o café é responsável pelo aparecimento de sintomas de privação/abstinência em muitas pessoas, como dores de cabeça, disforia, sensação de cansaço, fraqueza, sonolência, concentração diminuída, dificuldade em trabalhar, depressão, ansiedade, irritabilidade, tensão muscular aumentada, dores musculares, e mais raramente, tremores, náuseas e vômitos.

Portanto, é bem provável que o café se torne um vício, mas apenas se consumido em grandes quantidades.

Vale ressaltar que o vício do café não pode ser comparado aos vícios em substâncias químicas, pois a diminuição gradual do consumo, de acordo com especialistas, evita esses efeitos e faz com que os sintomas desapareçam.

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